segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

HILDEGARD VON BINGEN


A NATUREZA DIVINA NO HOMEM SE EXPRESSA NA MÚSICA E EM TODA ARTE.

Escritora, pregadora, poeta e famosa compositora do período medieval germânica nascida em Bockelheim, Alemanha, que além de ter sido uma extraordinária pensadora, filósofa e teóloga, era ainda médica e botânica, e que através de sermões públicos desafiava os poderosos do regimento machista da época, e que ainda foi considerada a primeira cientista após a destruição definitiva de Alexandria.
Décima e caçula dos filhos do barão Hildeberto de Bermersheim, uma nobre família, tinha saúde frágil e quando tinha 8 anos foi entregue a uma tia monja beneditina de nome Jutta, para ser criada em uma ermida perto de Speyer e receber uma educação religiosa.
No seu tempo, época de convulsões políticas, religiosas e filosóficas, ficou muito conhecida como uma mulher piedosa e forte.
Aprendeu a ler e escrever e rudimentos de latim, e após o falecimento da tia (1136), as outras monjas elegeram-na, aos 38 anos, para abadessa.
Na década seguinte saiu de Disibodenberg e fundou um convento de Ruperstsberg perto de Bingen (1147), 30 km a norte, nas margens do Reno.
Depois, fundou outro convento em Eibingen, na outra margem do rio. Viveu várias experiências místicas, as quais teve o cuidado de registrar em seus escritos, os quais chamaram a atenção do Papa Eugénio (1145-1153), que a incentivou a continuar a escrever.
Como abadessa de um mosteiro Beneditino, foi uma das poucas mulheres que durante as trevas intelectuais da Idade Média se destacou perante a instituição patriarcal da Igreja Católica Romana.
Conta-se ainda nas suas virtudes o dom da composição e embora seus livros hoje despertem interesses puramente históricos, a sua música é objeto de enorme divulgação nos tempos atuais, com inúmeros discos gravados.
Autora de nove livros sobre teologia, medicina, ciência e fisiologia, que escreveu sobre medicina e sobre a origem do Universo, mas mais lembrada como compositora de hinos religiosos. Conhecida também como Santa Hildegard von Bingen, foi uma mulher notável, que escreveu versos e música religiosa, obras de teologia e escritos sobre visões, e deixou também inúmeras cartas.
Escreveu música e textos em honra da Virgem Maria em cantochão ou gregoriano e antífonas, sendo-lhe atribuídos 7 hinos, 35 antífonas, a peça teatral sacra Ordo Virtutum.
Sua música e poesia continuou popular por séculos e seu trabalho mais conhecido é Scivias (1147-1148), no qual ela relatou suas 26 visões.
Entre seus outros livros destacaram-se Physica e Causae et Curae (1150), sobre história natural e sobre os poderes curativos de vários objetos naturais, e mais dois livros de visões: Liber vitae meritorum (1150-1163) e Liber divinorum operum (1163).
Morreu aos 82 anos, em Rupertsberg, Alemanha e, beatificada, nunca foi formalmente canonizada, mas ela é considerada como a primeira das santas místicas da Alemanha, conhecida como Sybil a mística do Reno, e festejada no dia 17 de setembro.

4 comentários:

Anônimo disse...

Nunca tinha visitado este blog e fi-lo após uma pesquisa sobre Hildegard. Não posso contudo deixar passar em claro o preconceito aqui expresso, tão típico das mentalidades anticatólicas primárias, que é o facto de se referir às trevas intelectuais da idade média.
Lembro só que no mesmo período, se dá aquilo que se chama o renascimento do século XII, com grandes transformações a todos os níveis na Europa e que preparam o renascimento italiano.
É o tempo de Anselmo, Abelardo, Leonor de Aquitânia que falava 8 línguas, sabia de matemática, astronomia, leis e filosofia (com alguém deve ter aprendido?) e que liderou um exército na 2ª cruzada. Na península temos a filha de Afonso Henriques, Teresa ou Matilde da Flandres como era conhecida e que governou o reino de Portugal na doença do pai e depois com grande sucesso ainda recordado nos dias de hoje, a Flandres.
Teresa, mãe de Afonso e Urraca, duas mulheres que tanto disputaram a política lado a lado com os homens.
É o tempo das catedrais e das universidades.
As trevas vieram muito depois e olhe que o século XIX foi bem mais violento para as mulheres que a idade média.
Xico

ÂNGELO disse...

Meu querido, anônimo, eu não consegui ver aonde me refiro com preconceito, a qualquer religião ou a algo no blog, a minha intenção real foi de enaltecer essa grande mulher num período onde as mulheres não tinham voz nem vez.
Citarei outras muitas que se destacaram em vários períodos de nossa história.
O que é um fato, todas elas independente de região ou época, lutaram heroicamente para poderem se expressar.
Pena que você não se identificou, pois gosto muito de um diálogo, e se em algum ponto eu não consigo ver a sua opinião, com uma boa conversa, eu veria o seu ponto de vista.
Por terminar, não sou anti-nada, pelo menos o que seja moral.

Anônimo disse...

"durante as trevas intelectuais da Idade Média", foi o que escreveu.
Dizer que a Idade média é um período de trevas intelectuais só por preconceito. Bem sei que é um lugar comum, mas um lugar comum que nasceu com um determinado propósito e que deve ser denunciado, pois lança uma imagem errada, a meu ver, do que foi a idade média até em comparação com outras épocas mais recentes.
A Idade média é um período riquíssimo de todos os pontos de vista. É o período em que a Europa se levanta e renasce das cinzas do império romano e do caos económico e social provocado pela queda desse império. É um período de crescimento mas nunca de trevas!
Dizer que as mulheres não tinham voz nem vez na Idade média, parece-me que a tinham bem mais do que em períodos posteriores. Sem dúvida não eram equiparadas aos homens, mas não foi o pior período na vida das mulheres europeias. Comparando com a sociedade de cada época é claro.
Um abraço,
Xico

Ana Cristina disse...

Gostei muito de ler este texto. Parabens.
Não sou como o anonimo que parece procurar trevas de tudo em vez de luz.
Não vi preconceito nenhum neste texto.
E muito obrigada, me enriqueceu.

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